Abaixo Assinado: Pelo patrimônio natural da Rua Bela Cintra 282

 

É com profunda tristeza e revolta que temos encarado a sentença de morte que foi dada às árvores de nossa vizinhança. Seringueiras frondosas, lares de sabiás-laranjeira e tantos outros animais, com seus dias contados para dar lugar a um empreendimento que mal cabe no terreno. Esse é um grito de socorro!!!

@BosqueVivo_BelaCintra


Pelo patrimônio natural da Rua Bela Cintra 282

Queridos vereadores da cidade de São Paulo e quem se importa com o verde da cidade

No terreno da Rua Bela Cintra 282 os pássaros cantam todas as manhãs, e os sabiás continuam por todo o dia. Isso por conta de árvores centenárias que compõem um bosque natural onde antes ficava o antigo edifício Venezuela. A destruição desse edifício, por si só, foi um golpe para o patrimônio arquitetônico da cidade.

Agora o bosque do terreno está sofrendo uma pressão absurda de um novo empreendimento que já começou a ser anunciado num ostentoso stand de vendas. O empreendimento propagandeia um “novo bosque” mas omite a destruição do bosque que já existe ali.

É inaceitável que numa cidade como São Paulo, em plena crise climática (quando precisamos cada vez mais de locais que sejam um termostato natural para nossa vizinhanças) os espaços verdes que já existem sejam suprimidos para dar lugar a construções de dimensões incabíveis para as redondezas.

A justificativa de adensamento do centro é válida, mas devemos ponderar a que preço estamos cumprindo essa meta do plano diretor, se a cidade já conta com unidades habitacionais suficientes para sua população — que muitas vezes estão vazias em prol da especulação financeira. O absurdo se torna flagrante quando nos damos conta do número de pessoas em situação de rua em São Paulo, que beira 100 mil pessoas no ano de 2026*, enquanto a construção civil engole a cidade. Isso é evidência de que mais unidades são construídas pensando em investidores e não em moradores.

Esses absurdos já estão em curso. No empreendimento da Rua Bela Cintra, o stand de vendas se aproveita do paisagismo idílico do terreno para vender um empreendimento que vai na verdade dizimar toda a vegetação local. Os compradores de unidades que chegam ali veem a imagem de um terreno arborizado, uma vizinhança pacata que não se traduzirão nas unidades que serão vendidas.

O projeto parece ter sido transplantado para o local sem preocupação com as dimensões do entorno — o mesmo ocorreu com o monstruoso Passeo Paulista, da mesma incorporadora. A ventilação e o sol de vários prédios da redondeza ficarão comprometidos. Com isso, todos os proprietários de imóveis da vizinhança verão seus apartamentos perderem valor, ou seja, a compensação econômica proveniente do novo prédio não parece superar a desvalorização que ocorrerá no entorno.

Enquanto o absurdo ambiental ainda é promessa, os habitantes da região já sofrem com o barulho advindo da carga e descarga noturna, além das 12h de barulho diurno constante. Essa é mais uma prova de que as regras do plano diretor, que deveriam zelar pelo bem estar dos munícipes, abrem brecha para que as empresas de construção civil
atropelem o sossego de quem já mora ali.

Precisamos de movimentação popular para a manutenção do patrimônio verde do local. Quem sabe transformar o terreno em uma praça, um museu ou um cinema ao ar livre? Quem sabe usar o local onde foi o charmoso Edifício Venezuela para construir, sem a supressão de vegetação, um projeto de menor dimensão, que caiba melhor no terreno? E que, sobretudo, respeite as árvores e os pássaros — moradores originais do local.

Muito triste tudo isso.

Para Assinar o Abaixo Assinado


Número de pessoas em situação de rua na cidade de SP cresce e chega a 96 mil


@BosqueVivo_BelaCintra

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