O que a verticalização sem estudos prévios tem a ver com o alargamento dos lagos do parque Ibirapuera?
O que a verticalização sem estudos prévios tem a ver com o alargamento dos lagos do parque Ibirapuera? O transbordamento do Lago do Ibirapuera exige olhar para a ocupação de toda a bacia do Córrego do Sapateiro.
As decisões de zoneamento permitem intensificar a construção nas áreas que contribuem com suas águas para o lago. Mas essa transformação foi acompanhada de uma avaliação dos impactos cumulativos sobre a drenagem?
É preciso verificar como a substituição das edificações modifica a impermeabilização dos lotes, a cobertura vegetal e a capacidade de reter as águas da chuva. A verticalização, isoladamente, não explica os alagamentos: o que precisa ser avaliado é o resultado conjunto dessas mudanças na bacia.
O planejamento da drenagem considera o potencial de ocupação autorizado pelo zoneamento? As obras necessárias acompanham essa transformação? Os dispositivos de retenção exigidos dos empreendimentos são fiscalizados e mantidos?
Proteger o Ibirapuera exige integrar as decisões urbanísticas à capacidade da bacia e aos cenários climáticos futuros, combinando áreas verdes, retenção de água e infraestrutura de drenagem.
A Prefeitura precisa apresentar os estudos que fundamentam essa compatibilidade e informar quais intervenções serão executadas, com recursos e prazos.
Ivan Maglio
Engenheiro civil e doutor em Saúde Pública pela USP.
Foi secretário-executivo do Consema, coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e diretor da Cetesb. Pos Doutor em Adaptação Climática pelo IEA USP e Adaptação Baseada em Ecossistemas pela FAU-USP.
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