Rascunho para a Roda de Conversa do 2 de Setembro

Segundo o governo, as plataformas contribuíram para uma crise de saúde mental entre os jovens. Além disso, a empresa foi acusada de violar leis de proteção à criança na gestão de suas mídias sociais.

A acusação dos Estados americanos indica que a Meta era responsável por projetar o Facebook e o Instagram para serem viciantes para crianças e adolescentes.

As plataformas usavam recursos criados para mantê-los conectados o máximo de tempo possível, como as notificações frequentes, os Stories e os vídeos com reprodução automática. 

Cláusula TikTok e Youtube

Ainda no acordo, a Meta incluiu uma cláusula de um tipo de prêmio para os Estados caso as outras redes sociais, como TikTok,  Snap e YouTube, adotem os mesmos bloqueios que o Facebook e Instagram.

Se isso acontecer, a Meta vai pagar mais US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões) a mais para os Estados.

Segundo a Meta, os adolescentes transitam entre dezenas de aplicativos por dia e, quando são restringidos em um aplicativo, eles simplesmente migram para outro.

Por isso, a empresa explicou que todas as plataformas deveriam dar poder aos pais e apoiar os adolescentes implementando as mesmas medidas.

IG Último Segundo


  • Limite padrão de 2 horas diárias no Instagram e no Facebook, compartilhado entre os dois aplicativos;
  • Bloqueio noturno, da meia-noite às 6h, quando adolescentes ficam sem acesso a feed, Stories e outras áreas centrais dos apps;
  • Silenciamento de notificações entre 8h e 15h, horário escolar nos EUA;
  • Alertas de uso a cada 15 minutos, com avisos reforçados aos 60 e 90 minutos;
  • Opção de feed não personalizado, sem recomendação baseada em comportamento;
  • Ocultação padrão de curtidas e reações para contas de adolescentes.
Só que cada um desses itens vem com uma válvula de escape: os pais. É a família quem decide se o autoplay fica ligado, quem pode estender o limite diário de duas horas, quem flexibiliza cada uma dessas travas.
Não estamos falando do Brasil, e, sim, dos EUA, mas a Constituição Brasileira consolida uma visão oportuna sobre o assunto: é responsabilidade do estado, dos responsáveis e da sociedade (aqui incluídas as empresas) garantir segurança e bem-estar a crianças e adolescentes.

E o detalhe mais importante do texto do acordo talvez não esteja nas mudanças de produto, mas, sim, na cláusula que faz todas as partes renunciarem ao direito de recorrer assim que o juiz homologar o valor. Ou seja: não existe segunda rodada. A Meta comprou paz jurídica de longo prazo por uma fração do que temia pagar —e, no caminho, transferiu para os próprios pais a responsabilidade de operar os controles que ela mesma projetou. Talvez por isso, o mercado tenha aplaudido, e as ações da Meta subia 8% por volta das 13h. Dos males, o menor. Mas só para a empresa de Zuckerberg. 

Meta sai vitoriosa de ação por 'vício nas redes' e dividirá ônus com pais


 


A Meta divulga orgulhosa que suas Contas para Adolescente são privadas por padrão, devem ser vinculadas a um perfil de responsável automaticamente e têm limite de uso de uma hora por dia. Só esquece de dizer que esse é o mínimo que ela é obrigada a fazer – e demorou anos para isso. Na prática, com a campanha agressiva em meios de comunicação – e agora na porta das escolas, diretamente ao público adolescente –, a empresa quer reforçar que cumpriu a sua parte, e deslocar o eixo do problema para a gestão doméstica: os pais, escolas e responsáveis.

Usar “tranquilidade para os pais” como slogan é uma forma de vender serenidade e se isentar da responsabilidade, enquanto seu produto segue com sua lógica persuasiva e extrativista intocada. Obviamente, as campanhas na Meta não fazem referência à proibição de publicidade direcionada e perfilamento pelo ECA Digital.

A escolha criteriosa sobre o que reforçar – e o que esconder – é parte da estratégia de comunicação da Meta para tentar reverter o estrago reputacional que a empresa sofreu pelo mundo nos últimos meses por comprovadamente causar danos à crianças e adolescentes. E a campanha, como vimos, é agressiva e mira diretamente na parte mais vulnerável dessa equação: os pais e as crianças.

Instagram distribui brindes e aborda adolescentes na porta de escola em SP


"na RECESSÃO da INFLUÊNCIA, os influenciadores estão competindo com absolutamente tudo, de celebridades a pessoas comuns, de conteúdos cada vez mais artesanais aos mais sintéticos possíveis. todo mundo conhece aquela sensação de postar algo na internet e pensar: “ninguém viu meu post!” ou mesmo “nossa, flopei!”. hoje, muitos influenciadores consagrados, com milhares ou milhões de seguidores, estão experimentando algo semelhante. haja vista tantos criadores se queixando de como se sentem punidos pelo algoritmo por terem diminuído o ritmo e o volume de postagens. como disparou uma badalada criadora no status do Instagram dia desses, “stories: tá difícil por aí tb?”."

"a socióloga Danah Boyd escreveu, em seu recente artigo, que as mídias sociais tornaram-se parassociais. para ela, o termo “mídias sociais” começou a ser usado nos anos 2000 para nomear tipos de plataformas e protocolos que permitiam às pessoas interagir com amigos e comunidades de interesse por meio de tecnologias digitais. duas décadas anos depois, a lógica mudou profundamente.

ao contrário do que acontecia no começo do século digital, a grande massa de usuários não está mais implicada na construção de espaços de convívio para desfrutar da companhia dos outros. em vez disso, a maioria das plataformas nos oferece um meio de transmissão broadcast, sempre nos convidando (ou nos convocando, como num exército mesmo) a aprender como manipular os algoritmos para que também possamos criar conteúdos para as grandes corporações. e cultivar vinculações unidirecionais.

nesse sentido, poucos casos são tão emblemáticos quanto Call Her Daddy e o império da criadora e apresentadora Alex Cooper. conhecida como uma das podcasters mais bem remuneradas do mundo, Cooper se tornou um exempl didático de como transformar impulsos parassociais em um grande negócio. negócio esse que lhe rendeu um contrato de 60 milhões de dólares com o Spotify. o ingrediente principal desse conto de fadas da podosfera é a capacidade de Cooper de transmitir a energia de irmã mais velha, “amiga de boa”, para suas mais de 10 milhões de ouvintes (!) por episódio (!!). quem consegue ser amiga de 10 milhões de pessoas? aliás, a análise do Diabolical Lies é imperdível." 

A Recessão da Influência


"A companhia de Mark Zuckerberg saiu do tribunal de Oakland, na Califórnia, com o modelo de negócio intacto e com a sua parcela da conta de cuidar da saúde mental dos adolescentes repassada, mais uma vez, para pais e mães."

Meta sai vitoriosa de ação por 'vício nas redes' e dividirá ônus com pais


Social Media Is Now Parasocial Media

Abstract When practitioners used the term “social media” to describe the internet tools that emerged in the mid-aughts, they were giving a name to the kinds of platforms and protocols that allowed people to socialize with friends and communities of interest by using digital technologies. Twenty years later, users of social media are far more likely to scroll than post – and the content that they consume is often strategically produced and algorithmically curated. In this essay, I argue that the very essence of social media has changed. To more effectively interrogate what we are witnessing, we need to stop presuming that these tools are “social media” and begin recognizing that they are now “parasocial media.” Doing so raises new questions about digitally mediated sociality, not to mention the politics and governance of these platforms.


As Redes Sociais Tornaram-se Redes Parassociais

Resumo: Quando profissionais utilizaram o termo "redes sociais" (*social media*) para descrever as ferramentas de internet que surgiram em meados dos anos 2000, estavam nomeando plataformas e protocolos que permitiam às pessoas socializar com amigos e comunidades de interesse por meio de tecnologias digitais. Vinte anos depois, os usuários dessas redes são muito mais propensos a rolar a tela do que a publicar — e o conteúdo que consomem é, frequentemente, produzido de forma estratégica e selecionado por algoritmos. Neste ensaio, argumento que a própria essência das redes sociais mudou. Para analisar com mais eficácia o que estamos presenciando, precisamos deixar de presumir que essas ferramentas são "redes sociais" e começar a reconhecer que elas se tornaram "redes parassociais". Essa mudança de perspectiva levanta novas questões sobre a sociabilidade mediada digitalmente, sem mencionar as questões de política e governança dessas plataformas.

Social Media + Society é um pdf


O acordo, portanto, é um mau negócio para todos os usuários do Facebook e do Instagram . Ele normaliza a verificação e a garantia de idade para milhões de usuários da internet. Nega aos adolescentes as ferramentas para criarem suas próprias experiências seguras online e coloca sua experiência nas redes sociais firmemente sob o controle da Meta ou de seus pais. E, em vez de abordar a coleta, análise e retenção de dados da Meta sobre o uso do Instagram e do Facebook por adolescentes, vincula a Meta à vigilância contínua.

EFF: Meta's $17 Billion Settlement is a Bad Deal for Teens and All Social Media Users


"É ético usar as ferramentas de uma empresa acusada de tudo isso? O progressismo e a esquerda não deveriam se dar conta que, ao concentrar toda a sua campanha em tais ferramentas, estão fortalecendo essa empresa?"

Sobre O Acordo
"Para os negócios da Meta, é improvável que o acordo tenha um impacto significativo em sua saúde financeira ou no engajamento dos usuários, visto que os adolescentes representam menos de 1% de sua receita. Além disso, com o pagamento em dinheiro diluído ao longo de 10 anos, o impacto no resultado financeiro da empresa varia entre US$ 1,3 bilhão e US$ 1,8 bilhão por ano — um valor irrisório quando comparado à receita anual da Meta, de aproximadamente US$ 250 bilhões."

Seeking Alpha


Ela enfrentou as redes sociais, e venceu. Kaley Glenn-Mills conta sua história

Justiça determinou que Instagram e YouTube agiram deliberadamente para viciar a jovem, em ação que criou precedente nos EUA e motivou restrições em todo o mundo. Ela tinha 17 anos e só agora revelou sua identidade

Ela Enfrentou às Redes Sociais e Venceu!

Comentários

Páginas mais visitadas

19 de Agosto, Museu Lasar Segall, Vila Mariana: Roda de conversa: Formas de Habitar A Internet

O julgamento que pode definir o futuro de São Paulo