Em Defesa e Preservação Projeto Burle Marx e Serraria no Parque Ibirapuera
O problema
Nós, grupo de conselheiros eleitos e representantes da sociedade civil no Conselho Gestor do Parque Ibirapuera, viemos a público manifestar nossa profunda preocupação e posicionamento contrário a qualquer intervenção de caráter comercial ou estrutural na área da Serraria por parte da concessionária Urbia.
Fundamentos da Nossa Reivindicação:
1. Preservação do Legado de Roberto Burle Marx e do Paisagismo Moderno: A praça que envolve a Serraria não é apenas um espaço adjacente, mas um exemplar fundamental do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx, o maior expoente do paisagismo moderno brasileiro e figura de renome internacional. O desenho do espelho d’água e a disposição da vegetação foram concebidos para colocar a estrutura da Serraria em evidência, criando uma obra de arte viva e integrada. Ressaltamos que, embora o Parque Ibirapuera possua proteção patrimonial (o parque é tombado pelo Condephaat resolução n. 1 de 25/01/1992 e pelo Conpresp / resolução n. 6 de 18/12/1997), este setor específico carece de uma salvaguarda detalhada que impeça intervenções descaracterizantes. Qualquer alteração para fins comerciais fere a integridade deste legado histórico e artístico nacional, que deve ser tratado com o rigor de uma obra de arte pública.2. Garantia da Vocação de Uso do Espaço: Historicamente, a Serraria consolidou-se como um território de encontros, meditação, yoga e práticas voltadas ao relaxamento, esportes e introspecção. Como conselheiros, zelamos pelo equilíbrio do parque: se o Ibirapuera já possui áreas de alta rotatividade e comércio, a Serraria representa o necessário contraponto de contemplação e introspecção para os frequentadores.
3. Insuficiência do Tombamento Genérico: Ressaltamos que o tombamento do Parque Ibirapuera pelos órgãos competentes (CONDEPHAAT e CONPRESP entre 1992 e 1997) é de caráter abrangente e, como se observa pelas intenções da concessionária Urbia, pouco específico quanto à preservação intrínseca de conjuntos como o da Serraria. Por essa razão, apoiamos o pedido de tombamento individualizado protocolado por um grupo de arquitetas especialistas em patrimônio histórico e natural visando preencher essa lacuna técnica e impedir que o patrimônio histórico seja subjugado pela exploração comercial (uma delas, Cássia Mariano, especialista na obra de Augusto Teixeira Mendes - agrônomo e paisagista responsável pelo projeto e implantação do Parque Ibirapuera - foi convidada pela SP Parcerias no âmbito do Plano Diretor Participativo a realizar os estudos prévios que operacionalizaram a concessão. Neste plano os usos fundamentais do parque, pela hierarquia : Ambiental - Cultural - Lazer recreativo - Lazer esportivo não podem ser comprometidos.)
Como representantes legítimos dos usuários e da preservação do parque, solicitamos a suspensão imediata de qualquer projeto comercial para a Serraria. Reafirmamos que o interesse público de preservação do patrimônio e do bem-estar social deve prevalecer sobre o interesse econômico de exploração do espaço.
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