Sobre o "92 % a favor do Túnel Sena Madureira" artigo da Ombudsman da Folha de São Paulo: "Quando a 'publi' contamina o jornalismo"
"A Folha também enviou a formulação da pergunta feita na pesquisa.:
"A cidade de São Paulo vai ganhar o novo Complexo Viário Sena Madureira, que prevê a construção de dois túneis que ligarão a rua Sena Madureira à avenida Ricardo Jafet, na zona sul. A obra deve beneficiar mais de 800 mil pessoas por dia. Hoje, o trajeto entre a Chácara Klabin e a avenida Ibirapuera demora cerca de 20 minutos. Com o novo túnel, o mesmo trajeto poderá ser feito em até três minutos. Também haverá melhoria do tráfego para 45 linhas de ônibus da região. Você aprova ou desaprova a obra?"
Quando a publi contamina o jornalismo
"Quando a 'publi' contamina o jornalismo
Ao reproduzir dados e formulações publicitárias sem crítica, jornal arrisca sua credibilidade e leva junto a do Datafolha
Alexandra Moraes - Ombudsman
O tema parece só paulistano, mas fala também de questões mais amplas, como veremos adiante. "Pesquisa Datafolha mostra 92% a favor de novo complexo Sena Madureira" era uma nota na Folha que repetia dados de propaganda da Prefeitura de São Paulo: "Datafolha: 92% dos paulistanos aprovam construção do Complexo Sena Madureira".O anúncio foi feito pelo Estúdio Folha, área comercial sem ligação com a Redação do jornal e que se dedica à produção de "conteúdo de marca", ou publieditorial. Esse tipo de publicidade foi uma saída encontrada pelos jornais diante da crise gerada por mudanças digitais e pelo duopólio publicitário de Google e Facebook/Meta. E tudo bem, desde que o conteúdo seja devidamente sinalizado.Voltando à Sena Madureira, em 2024 um corte de árvores na via da zona sul de São Paulo mobilizou moradores e ativistas. A gestão de Ricardo Nunes (MDB) quer construir ali um túnel contra congestionamento, e a obra motivou outros protestos.A prefeitura já era cliente do Estúdio Folha e do Datafolha e recorreu à dobradinha no caso da Sena Madureira. No ano passado, a parceria rendeu à prefeitura títulos como "99% aprovam Virada Cultural de São Paulo" e "99% aprovam Carnaval de São Paulo".Os índices norte-coreanos de aprovação dos eventos municipais associados ao nome do Datafolha geraram estranheza. Mas a explicação era que, como as pesquisas ocorriam nos próprios eventos, refletiam a opinião de gente já inclinada a gostar deles.O problema aumenta quando os resultados migram da parte publicitária para o conteúdo jornalístico da Folha sem contestação nem muito contexto.É natural que o jornal noticie pesquisas de interesse público, e eventos e obras da cidade estão nessa categoria. Quando a informação é intermediada por quem tem interesse em divulgá-la, porém, é preciso ir com cuidado."Entendo que foi um contrato da prefeitura com o Datafolha e o Estúdio Folha, mas, se o Painel (que é jornalístico) resolveu publicar, deveria haver mais transparência", afirmou um leitor que preferiu não ser identificado e cobrou mais informações sobre a pesquisa da Sena Madureira."Como estão sendo feitas as pesquisas e os recortes dos dados?", questionou também a assinante Mônica Zamboti, 53. "Quais foram as perguntas?" Para Mônica, chamam a atenção os "números hiperbólicos de aprovação" desse e dos anúncios anteriores. "Em uma cidade com realidades tão distintas, a quase unanimidade soa muito falsa." Ela sugeriu "uma checagem interna, para que a credibilidade desses institutos e divisões não seja afetada". "E uma investigação acerca dos gastos públicos com esse tipo de publicidade."O site The Intercept apontou, em 2023, que a prefeitura "torrou" (sic) R$ 2,7 milhões em publicidade na Folha naquele ano eleitoral e no anterior. Não havia indício de irregularidade nos negócios, mas eles podem levantar outras questões, é claro. A própria Folha já havia mostrado os altos gastos com publicidade da primeira gestão Nunes, com R$ 223,7 milhões apenas em 2022.No caso de 2023, leitores se queixaram da má sinalização da "publi", que poderia se confundir com conteúdo jornalístico. O jornal melhorou a identificação.O Datafolha afirma que as pesquisas contratadas pela prefeitura seguem os padrões de metodologia e rigor do instituto. E que a divulgação delas, em parte ou total, depende do contratante.O problema é que recortes malfeitos podem colocar na linha de fogo o próprio Datafolha. Em ano eleitoral, não parece boa ideia."
"Temos que questionar expondo: qual o interesse de gastar dinheiro público pra fazer uma pergunta obviamente enviesada pra produzir um resultado óbvio?
Qual o interesse de perguntar se a obra já está contratada, e a prefeitura não está pesquisando para auxiliar a tomada de decisão já feita? E se isso não interessa nem para a obra, nem para de fato descobrir o que a população pensa, serve para o quê? Tentar escapar da investigação do Ministério Público de que esse túnel foi inventado apenas para atender os interesses de um cartel?"
Luc
"A Ouvidora da Folha faz importante revelação. Mostra o tipo de pergunta feita numa pesquisa do DataFolha, de interesse da Prefeitura de São Paulo, onde são apresentados vários argumentos para que a resposta seja a que interessa ao contratante. Resultado: 98% dos entrevistados concordam com quem pagou a pesquisa."
"Pra quem não conhece a obra e o custo, tá fácil concordar com o prefeito, né?"
A pergunta que o Data Fodase fez ao público usou o texto da propaganda da prefeitura para a obra, com os dados fictícios de benefícios formulados pela publicidade do Ricardo Nunes!
Tudo tirado do c... !!
Bom dia pessoal!
Uma excelente notícia pra gente !
A ombudsman da Folha publicou uma matéria excelente sobre a tal "Pesquisa" de "aprovação" do Túnel Sena Madureira" e sua publi pelo Studio Folha 🤩
Ombudsman da Folha apontando a manipulação da prefeitura pra criar a narrativa da pesquisa favorável ao túnel na cidade!
Alguns dos comentários sobre a publicação da Ombudsman que enviaram a
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