São Paulo está à venda: O Leilão do Nosso Oxigênio
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A denúncia é clara: uma área de 45 mil m² de Mata Atlântica em Itaquera, vizinha ao Parque Natural Fazenda do Carmo, perdeu seu status de Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM). O que antes era solo protegido por lei, agora é alvo de retroescavadeiras e movimentação de terra. Este não é um caso isolado, mas o sintoma de uma gestão que parece enxergar a cidade não como um organismo vivo, mas como um balcão de negócios.
- A Canetada que Desmata
A revisão da Lei de Zoneamento, aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pela prefeitura, funcionou como um "passaporte" para a destruição. Ao reclassificar áreas de vegetação significativa, o poder público ignora décadas de esforço de conservação. Em Itaquera, uma das regiões que mais sofrem com as ilhas de calor na Zona Leste, a perda de um fragmento desse porte é um crime climático local.
2 O Teatro da "Compensação Ambiental"
Como bem notado nos comentários da imagem, "não adianta ficar plantando mudinhas". A lógica da prefeitura muitas vezes se baseia na compensação: derruba-se uma floresta secundária consolidada, com ecossistema complexo, para plantar árvores jovens em outro local.
O erro científico é óbvio: uma "mudinha" levará 30 anos para prestar os serviços ambientais (filtragem de ar, regulação térmica e absorção de água) que uma árvore adulta oferece hoje.
3 O Ministério Público e a Inconstitucionalidade
Recentemente, o Ministério Público de São Paulo apontou que o novo zoneamento regularizou até loteamentos clandestinos em áreas verdes. A justiça chegou a suspender alvarás de supressão de vegetação, alegando que as mudanças não atendem aos critérios urbanísticos e ambientais básicos. O fato de haver retroescavadeiras no local agora sugere uma corrida contra o tempo para consolidar o fato consumado antes que a justiça trave a obra definitivamente.
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