Nabil Bonduki: Mais um capítulo grave da "quinterização" na Prefeitura de São Paulo.
Quarter e DKS, dos mesmos donos, recebeu ao menos R$ 357 milhões da SPTuris desde 2020 para terceirizar mão de obra. MPT investiga
Demétrio VecchioliaA Agência Quarter, que a coluna já mostrou estar no nome de uma laranja, controla uma folha salarial sigilosa na Prefeitura de São Paulo, com salários que chegam a R$ 40 mil por mês, valor de 30 diárias de um “produtor executivo”. A empresa tem mais de R$ 178 milhões em contratos vigentes de terceirização de mão de obra com a São Paulo Turismo (SPTuris), que alega que nem ela tem dados dos trabalhadores que prestaram os serviços.
Empresa de laranja comanda folha de pagamento secreta na prefeitura
A reportagem do Metrópoles revela mais um capítulo grave da "quinterização" na Prefeitura de São Paulo. A empresa Quarter, já apontada como estando em nome de “laranja”, controla uma folha de pagamento secreta que chega a salários de R$ 40 mil, sem que a própria SPTuris saiba quem são os trabalhadores que atuam nas secretarias.
Desde 2020, Quarter e DKS — dos mesmos donos — receberam ao menos R$ 357 milhões para fornecer mão de obra à Cultura e ao Turismo por meio da SPTuris. O modelo investigado pelo Ministério Público do Trabalho é de “quinterização”: a secretaria contrata a SPTuris, que contrata a agência, que subcontrata empresas, que cedem pessoas que trabalham subordinadas ao poder público.
Na prática, cria-se um sistema sem transparência, com pagamentos por “diárias” de produtores e guias sem identificação pública de quem trabalhou, onde ou fazendo o quê. Parte desses terceirizados atua diariamente dentro das próprias secretarias, em funções permanentes, inclusive analisando prestações de contas de projetos culturais — sem concurso e fora das regras do serviço público.
A reportagem feita pelo Metrópoles ainda aponta possíveis conflitos e nepotismo: familiares de gestor responsável pelo contrato teriam sido contratados pela própria agência para atuar na área que ele coordena.
Enquanto isso, a Prefeitura mantém dados de 2025 e 2026 da SPTuris fora do Portal da Transparência. Dinheiro público alto, controle baixo e informação inexistente. É urgente abrir tudo: contratos, listas, funções e valores pagos. São Paulo precisa saber quem trabalha para a Prefeitura e quanto custa. Por isso, pedi a abertura da CPI dos Eventos na Câmara Municipal.
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